segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Leonardo da Vinci


A exposição “Leonardo Da Vinci – O Génio” está patente no Pavilhão Rosa Mota e conta com dezenas de modelos, em tamanho real, construídos a partir dos desenhos do “génio”, dos quais são exemplos o Submarino, o protótipo do Pára-Quedas ou o Quarto de Espelhos.

A exposição conta, ainda, com reproduções das dez mais famosas pinturas do mestre, nas dimensões originais, assim como cópias de manuscritos, desenhos e anotações, o que permite, por exemplo, admirar o surgimento da perspectiva e detalhes dos planos de fundo em obras como a “Mona Lisa” ou “A Virgem dos Rochedos”.

A exposição em números

Máquinas – 80
À escala Real – 37
Interactivas – 23
Área da exposição – 2600 metros quadrados
Decoração interior e exterior – 8500 metros quadrados

Para saber mais: www.leonardodavinciogenio.com

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

HADES, de Luísa Costa Gomes





— São os anos do Rodrigo e a gente faz o que ele quiser. Foi o que eu disse e é o que se faz. Agora calas-te e andas para a frente. E cara alegre e não arrastas os pés.
— Porque é que hadem estar sempre a discutir, mesmo no dia dos meus anos?
— Olha-me aquele — disse o pai — parece o Guilherme nosso vizinho. Só lhe falta o boné.
Todos se riram a olhar para o peixe vermelho, até o Rolando, embora contrariado.
— Fechastes o carro? - perguntou a mãe.
— Tudo sobre controle - disse o pai.
— Não te debruces, Rodrigo Tiago, parece que fazes de propósito!
Os peixes rebolavam pela água esverdeada. O Rodrigo queria perguntar ao pai como é que eles conseguiam ver, só com um olho de cada lado da cabeça. Mas teve medo que ele empreendesse uma explicação demorada e agora queria mais que tudo despachar-se. E teve sorte, porque não havia muita gente a querer entrar no Aquário Vasco da Gama.
— Tens dinheiro destrocado? - perguntou a mãe. E o pai tirou da carteira uma nota de mil e deu-a ao guarda. O Rolando ficou de costas, distraído a olhar para a montra das caixas envernizadas e de cavalos marinhos para sempre empertigados. Entraram pelas anémonas logo a seguir.
— Isto é que era uma coisa boa lá para casa - disse o pai. - Esta luz que só acende enquanto a gente carrega no botão. Era um grande poupar de energia.-Depois leu:- Anemonia Sulcata, nome vulgar, anémona.
— A cabeleira delas até parece a do Rolando - disse a mãe a querer brincar. E logo, para o Rodrigo:
— Não lambuzes o vidro, pá, que é poribido. Ainda vem aí o homem e nos põe a todos fora.
— Ih, mãe, olha-me esta lula! — gritou o Rodrigo. — Olha-me esta lula!
Ficaram todos pasmados com a lula gigante.
— Isto dava uma caldeirada para uma casa de família — disse o pai. E leu depois, no cartaz iluminado: — Oito metros e vinte e duzentos e sete quilos! Os olhos têm vinte e cinco centímetros de diâmetro...
— A oitocentos paus o quilo — calculou a mãe — vê lá tu quanto é que aí não está de lulas.
— Assim congelada é capaz de ser mais barato - disse o pai.
Foram pelo corredor conscienciosos, acendendo luzes, espreitando anémonas e cavalos marinhos, juntando as cabecinhas sobre as janelinhas redondas dos aquários. O Rolando acompanhava à distância, como se não lhes pertencesse, de mãos nos bolsos, deitando olhares descomprometidos aos espécimes quando não podia mesmo deixar de ser, absorto num grave problema íntimo que nenhuma visita, nenhuma festa, nenhuma palavra podiam resolver. Depois começavam os peixes.
— Olha-me aquele todo às pintinhas. Ó pai, podemos ter um?
— Isto não são uns peixes quaisquers, não se arranjam assim do pé para a mão — explicou o pai. — Se calhar há para aí um ou dois no mundo inteiro.
— São muito feios os peixes - disse a mãe. — Têm um ar muito estúpido.
— Há quem diga que vimos deles, sabias? - disse o pai ao Rodrigo.
— Só se fores tu, eu cá não venho com certeza. Uma vez a minha madrinha até me quis dar um peixinho vermelho, mas aquilo fazia-me espécie, a criatura às voltas no frasco, deitei-o pela pia abaixo.
— Deitastes fora o peixe? - perguntou o pai, incrédulo.
— Era pequena - disse a mãe. — Coisas da minha madrinha.
Assim dizendo chegaram a uma grande sala. No tanque havia tartarugas. O Rodrigo debruçou-se para ver.
— Ó pai, que grandes cágados! O Pedro tem um, mas é pequeno. E aqueles ali, que é que eles estão a fazer?
O pai e a mãe olharam para as duas tartarugas que o menino apontara.
— Não são coisas para a tua idade - disse a mãe. - Sai lá daí.
O Rolando aproximou-se, porque de repente sentira uma grande motivação para ver tartarugas. Encostou-se ao muro que rodeava o tanque, repousou a cara na mão direita e observou desapaixonadamente o namoro daqueles bichos.
— Mas eu já sou crescido — ripostou o Rodrigo. — Já vi na Televisão.
Viraram à direita e puseram-se a subir para as focas. Abrandavam o passo porque o Rolando não descolava do tanque educativo e também porque ainda era cedo para o almoço e, pelo andar da carruagem, calculavam que não houvesse ali muito mais para ver.
Na sala das otárias, a mãe deixou-se embevecer pela decoração marinha de conchas e barrocos búzios.
— Isto está um luxo, já viste? Está lindo. E, para o Rolando, que chegava:- Hades ficar sempre para trás e andares de trombas. Nem nos anos do teu irmão nos fazes o favor de estares contente, poças!
— Agora por poças — disse o pai com o seu ar das festas, pegando no Rodrigo ao colo para lhe mostrar as focas. — Lembro-me de andar um dia na pesca com o meu tio Olindo...
— Lá vem a história do tio Olindo! — suspirou a mãe a rebolar os olhos.
— ...e não pescávamos nada, estivemos para ali a manhã toda e nada, até que ele resolveu ir mais para baixo no rio, onde a água ia com mais força...
— Deixa lá os promenores e despacha-te - disse a mãe, admirando ainda as convolutas da decoração da sala.
— ...e eu a ver, era pequeno, tinha para aí a tua idade. Bom, vai o tio Olindo por ali abaixo, chega onde a corrente era mais forte e posta-se de perna aberta e lança o isco e fica à espera. A certa altura só o vejo começar assim como que a dançar, levantava uma perna, depois outra e eu pensei que ele estava todo contente porque tinha apanhado algum, mas não. Depois vejo-o cair estatelado dentro de água, ao comprido.
— Ih, que giro! - disse o Rodrigo.
— Tinha-lhe entrado uma rã para a galocha e estava-lhe a fazer uma comichão danada. Então caiu na água... Bom, mas o melhor foi que o tio Olindo se despiu todo e ficou só em ceroulas e pôs a roupa a secar numa pedra e vieram uns miúdos e roubaram-lhe tudo.
O Rolando emprestava àquela história uma orelha meio ausente. Conhecia de cor a história do tio Olindo, lembrava-se de ouvir o pai contá-la em casamentos e baptizados da família, com um copito a mais, e quando o Rodrigo, depois de ter estado muito doente em bebé, saíra finalmente do Hospital. No carro, na viagem para casa, com o Rodrigo no colo, o pai contara a história do tio Olindo e a mãe chorara a rir.
Agora só o Rodrigo é que se ria a ouvir o pai.
— Bom, mas não acaba aqui — disse o pai. — Do que eu mais gosto de me lembrar é do meu tio Olindo, muito gordo, todo nu só com as ceroulas, descalço a passear-se todo contente pela aldeia, de cana de pesca ao ombro e a rir-se para as mulheres que chegavam à porta e se benziam como se tivessem visto o diabo.
— Era muito bom homem, o tio Olindo — concedeu a mãe. — Já lá está, coitado.
— Ó pai, como é que se dá de comer às enguias eléctricas? — perguntou o Rodrigo. Mas o pai ainda estava com a memória noutro lado, enquanto lia no cartaz:
— Descargas de duzentos a trezentos volts, é o mesmo que pôr a mão na tomada.
— Isto está visto — disse a mãe, e começou a descer para o tanque das tartarugas, que controlou. — Estou farto de le dizer para não pôr tanta porcaria nos bolsos, que me deforma as Levis — queixou-se ela, a ninguém em especial — depois é, ó mãe quero uns Nike, ó mãe quero umas Lois, e rebenta com tudo... Levanta os pés, Rolando Bruno!
Portanto, a mãe estava a ficar com fome. Ainda bem que tinha chegado a uma sala cheia de peixes comestíveis.
— Ele é bacalhau, ele é garoupa, cherne, badejo! Anchovas, pargo, polvo! Só faltam as batatas e os grelos! — disse o pai. Riram-se.
— Não se percebe nada! — disse a mãe. — Mas que vigarice, desde quando é que bacalhau é peixe de aquário? — Se tivéssemos azeite, almoçava-se já aqui!
— Ih! — gritou o Rodrigo — olha-me só a tromba daquele!
Mas os pais tinham parado diante de um cardume de peixinhos vermelhos e a mãe encostara a ponta do dedo indicador ao vidro. Ficara sonhadora, depois o pai afastara-se e premira o botão da luz noutro aquário.
— Apogon Imberbis — leu em voz alta, para o resto dos visitantes — "a fêmea expele os ovos (envoltos numa substância gelatinosa que os mantém unidos num aglomerado), que vão ser incubados na boca do macho; este jejua até ao nascimento das larvas, expelindo-as então"...
— Que porcaria! — disse a mãe. — Lembram-se de cada uma!
Poderia-se lá pensar.
Nessa noite, ao adormecer, no fim do dia em que fez cinco anos, o Rodrigo lembrou-se dos peixes, perguntou-se como podiam respirar debaixo de água. Mas quando a mãe lhe perguntou, dando-lhe um beijo de boa-noite, o que é que ele tinha gostado mais de ver, respondeu:
— Do que eu gostei mais foi do bolo de chocolate do restaurante. Aqueles ossos não comi, mas o bolo era bem bom. A mãe também estava já farta de peixes. O pai demorava-se a ler as legendas, o Rolando não conseguia disfarçar a impaciência, batia com as biqueiras dos ténis no chão, ora uma, ora outra e assobiava entre dentes.
— Não sei porquéque hades estar sempre a fazer isso — disse a mãe ao Rolando. — Estragas os sapatos todos.
— Não é hades, é hás-de — disse, por fim, o Rolando.
Os outros três estacaram, ficaram parados a olhá-lo. O Rolando mudou o peso do corpo para a outra perna, cruzou os braços sobre o peito e repetiu, numa ameaça:
— Não é hades, é hás-de.

domingo, 23 de dezembro de 2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

Vitória, Vitória, de Clara Pinto Correia, por Liliana Monteiro





Vitória era um professora de Física, pequenina e velhinha, que não era muito querida pelos seus alunos. Os alunos dela estão numa fase muito especial: estão mais preocupados em namorar, estar fora da sala de aula, do que em aprender com a professora Vitória. Todo o texto é um conselho, pois citando a narradora ”Se puderem, não façam como eu. Não sejam maus para a doutora Vitória, porque depois nunca terão tempo para irem à procura dela e lhe pedirem desculpa”.


Recomendo este livro a todos os alunos que às vezes se esquecem da importância das aulas.


Autora: Clara Pinto Correia nasceu em Lisboa, em 1960. Licenciada em Biologia pela Universidade de Lisboa, doutorou-se pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, prosseguindo uma carreira universitária e de investigação no domínio da Embriologia no Instituto Gulbenkian de Ciência e nos E.U.A.

Perigo Vegetal, de Rámon Caride, por Liliana Monteiro


Esta história é uma mensagem ao e para o futuro. Tudo começa quando Sheila decide escrever aos "jovens do passado". A Sheila, que vive no ano de 2075, conta com a ajuda de seu irmão Said e a história é-nos, então, relatada a duas "mãos".
Este livro de aventuras trata de um problema muito actual: os alimentos trangénicos que podem pôr em causa o equilíbrio ambiental. Os alimentos transgénicos são alimentos cuja semente foi modificada em laboratório. Essa semente é modificada para que as plantas possam resistir às pragas de insectos e a grandes quantidades de pesticida.
Recomendo este livro a todas as pessoas que gostem de aventuras.
Autor: Ramón Caride Licenciado em Biologia. Professor do Ensino Secundário em Cambados.
Para o público infantil é criador da série formada, até ao momento, pelas novelas Perigo vegetal (1995), Prémio Merlín 1995; Ameaza na Antártida (1997) e O futuro roubado (1999), reunidas no volume As aventuras de Said e Sheila (2001).

Ilustrador: Miguelanxo Prado , Corunha, 1958, descobriu o mundo da banda desenhada quando aluno da Escola de Arquitectura, instalando-se depois em Barcelona, onde publica as suas primeiras histórias.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Reportagem

Susana Pereira


Hoje a escritora Susana Pereira esteve com o 8ºF e, simpaticamente, respondeu a todas as perguntas (mesmo às mais impertinentes!).
Em breve, a reportagem completa. Para já fica a fotografia da sessão de autógrafos.
Posted by Picasa

"O Preconceito Precisa de um Espelho"


O cartoon representa o preconceito : dois homens com cauda ridicularizaram e humilharam outro que tem as orelhas invulgarmente grandes. A intenção do cartoonista é denunciar atitudes mesquinha sque nos levam a apontar os defeitos dos outros, mas não nos permitem ver correctamente as nossas fraquezas. Trata-se de uma metáfora que relaciona o preconceito com a incapacidade do ser humano de reconhecer os seus próprios defeitos. O cartoon mostra ainda que o feio e o bonito é relativo e discutível.
Em O Aquário, o peixinho vermelho é também ele, pela mesma razão vítima de preconceito. Em ambos os casos, pretende mostrar-se que o exterior não é o mais relevante.
(este cartoon de Rodrigo de Matos)

domingo, 2 de dezembro de 2007

Perigo Vegetal por Sandra Cabral


Trata-se da história de dois irmãos: o Said e a Sheila que vivem junto a um grande rio, na Galiza. Uma grande companhia transnacionmal tenta tirar tornar as sementes de cereias como uma forma mortífera para dominara agricultura do planeta. O poder está nas mãos das crianças. E não posso contar mais!
Perigo Vegetal, de Rámon Caride, Deriva Ed.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Uma chuvada na Careca, de Alexandre Honrado, por Bruna Martins


Trata-se de uma história sobre a adolescência. Os amigos são simpáticos, a escola tanbém, a família, àn excepção do pai, é bastante boa. Pena é que o pai fosse tão violento com ela.
Aconselho este livro, pois aprende-se muito com esta história.

Uma Chuvada na Careca de Alexandre Honrado

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O Aquário, de João Pedro Mésseder


O Aquário

Hoje ouvimos ler O Aquário. A princípio, achamos estranho, dado que é uma obra proposta para o terceiro ano de escolaridade, mas rapidamente percebemos que um livro pode ter mais do que uma leitura e que os alunos do ensino pré-escolar farão uma leitura mais literal do que nós. As nossas “competências de leitura” já nos permitem ir mais longe e ler outras camadas do texto. Cada leitor associa a sua “leitura” às suas próprias vivências e a outras leituras, por isso é natural que nós, como já lemos mais, associemos este texto a mais coisas.

Num primeiro momento, detivemo-nos sobre o humor “escondido” no texto e no paratexto de O Aquário. No texto, destacamos “a sua voz sumida de peixe”. Esta expressão é muito engraçada, pois apesar de desde o início da história estarmos cientes de que estamos em presença de uma fábula, não deixa de ser curioso tentar imaginar a voz de um peixe.
Nas ilustrações, o cómico é-nos sugerido pelos braços, garfos que os peixes usam, bem como pelos óculos do peixe negro. Trata-se de uma antropomorfização ( os animais adquirem aspectos humanos).
Também constatamos que a ilustração, apesar de agradar aos mais novos, tem características que lhe permitem agradar a várias faixas etárias.

Depois disto avançamos para outro tipo de leitura. Estivemos a analisar as relações que se estabelecem entre o peixinho vermelho e os outros peixes e percebemos que o aquário não é mais do que uma metáfora.
Quanto ao peixinho vermelho procuramos substituir a característica mais visível dele (a cor), por outra característica que o distinguisse aos olhos dos outros (imaginamos um “peixinho” cigano, homossexual, Jeová, negro, portador de deficiência motora, gótico, punk, hippie ). Sobre esta nossa experiência teremos novidades em breve…

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Etiqueta de Joana Lucas












Lavagem à mão (temperatura máxima de 30º)
A Joana é uma pessoa sensível por isso não se pode passar a ferro.
Em caso algum se deve colocar na máquina.
Para secar, deve ser exposta ao Sol.
Atenção à exposição solar. Em determinados períodos do dia deve colocar-se protector solar.

Etiqueta da Carla por Andreia Patrícia


Matéria de espécie humana que se deve tratar com muito carinho. Deve ser lavado a uma temperatura morna e colocá-la a secar ao sol. Na lavagem não se deve usar lixívia. Depois deste processo de limpeza estar concluído, deve ser alimentada de acordo com a roda dos alimentos. Para funcionar na perfeição deve dar muitos beijinhos. Não carregar no botão "play" pois, apesar de ser carinhosa, pode ser prejudicial aos ouvidos. Os botões de controlo estão situados na orelha.

Etiquetas, Carla Sofia Machado



Lavar à mão, com água morna.


Não secar na máquina.

Não passar a ferro.


Não branquear com lixívia.
Usar gel de banho, de preferência  Nivea.Não limpar a seco.
Cuidado a vestir.
Pentear sempre os cabelos.

Modo de Usar, Liliana


Modo de usar:
Ao adquirir este elemento humano, tornar-se-á proprietário de um modelo com características únicas, que deve ser tratada com a máxima delicadeza possível. Este modelo é impermeável, mas não deve ser lavado à máquina. Use água morna nas lavagens normais e em caso de nódoas ou sujidade esfregar com sabão azul. Em caso algum passe a ferro, pois o risco de queimaduras é elevado. Os elementos pilosos que estão a decorar a cabeça devem ser lavados com produto próprio. Evitar a lixívia. Pode usar-se o secador. O cabelo deve ser escovado com regularidade. Liga-se com um bom pequeno-almoço. Desliga-se às 22:00 horas.

Manutenção:
Alimenta-se de acordo com a pirâmide dos alimentos. O uso de produtos tóxicos provura cáries, obesidade e gases. Depois de ingerir alimentos deve esfregar bem os dentes com uma escova própria. Não introduzir muitos alimentos gordurosos no elemento humano. Tratar com carinho.

domingo, 4 de novembro de 2007

Estamos a ler...



Parabéns, Caloira, de Anabela Mimoso
Crime no Expresso do tempo ,de Luísa Ducla Soares
O livro que falava com o vento e outros contos, de J. Jorge letria
O 13º Andar, uma história de fantasmas, de Sid Fleileichman
Operação Marmelada, de Manuela Ribeiro
Uma questão de cor ,de Ana Saldanha
Vitória, Vitória, de Clara Pinto Correia
O rapaz e o robô ,de Luísa Ducla Soares
O senhor Valéry, de Gonçalo M. Tavares
Perigo Vegetal, de Ramón Caride
Entre irmãs, Maria Teresa Gonzalez
Um cheirinho a canela, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Brasil, Brasil, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Uma chuvada na careca, de Alexandre Honrado
O Diário de Anne Frank, de Anne Frank
Os sete cães roubados, de Enyd Blyton
A minha vida não é nada disto, de Alexandre Honrado

sábado, 3 de novembro de 2007

«Inoque será você!»

(Martírio via intruso)

Estivemos a ler A PALAVRA MÁGICA de Vergílio Ferreira.


«Nunca o Silvestre tinha tido uma pega com ninguém. Se às vezes guerreava, com palavras azedas para cá e para lá, era apenas com os fundos da própria consciência. Viúvo, sem filhos, dono de umas leiras herdadas, o que mais parecia inquietá-lo era a maneira de alijar bem depressa o dinheiro das rendas. Semeava tão facilmente as economias, que ninguém via naquilo um sintoma de pena ou de justiça — mesmo da velha —, mas apenas um desejo urgente de comodidade. Dar aliviava. Pregavam-lhe que o Paulino ia logo de casa dele derretê-lo em vinho, que o Carmelo não comprava nada, livros ou cadernos ao filho, que andava na instrução primária. As moedas rolavam-lhe para dentro da algibeira e com o mesmo impulso fatal rolavam para fora, deixando-lhe, no sítio, a paz.
Ora um domingo, o Silvestre ensarilhou-se, sem querer, numa disputa colérica com o Ramos da loja. Fora o caso que ao falar-lhe, no correr da conversa, em trabalhadores e salários, Silvestre deixou cair que, no seu entender, dada a carestia da vida, o trabalho de um homem de enxada não era de forma alguma bem pago. Mas disse-o sem um desejo de discórdia, facilmente, abertamente, com a mesma fatalidade clara de quem inspira e expira. Todavia, o Ramos, ferido de espora, atacou de cabeça baixa:
— Que autoridade tem você para falar? Quem lhe encomendou o sermão?
— Homem! — clama o Silvestre, de mão pacífica no ar. — Calma aí, se faz favor. Falei por falar.
— E a dar-lhe. Burro sou eu em ligar-lhe importância. Sabe lá você o que é a vida, sabe lá nada. Não tem filhos em casa, não tem quebreiras de cabeça. Assim, também eu.
— Faço o que posso — desabafou o outro.
— E eu a ligar-lhe. Realmente você é um pobre diabo, Silvestre. Quem é parvo é quem o ouve. Você é um bom, afinal. Anda no mundo por ver andar os outros. Quem é você, Silvestre amigo? Um inócuo, no fim de contas. Um inócuo é o que você é.
Silvestre já se dispusera a ouvir tudo com resignação. Mas, à palavra “inócuo”, estranha ao seu ouvido montanhês, tremeu. E à cautela, não o codilhassem por parvo, disse:
— «inoque» será você.
Também o Ramos não via o fundo ao significado de inócuo. Topara por acaso a palavra, num diálogo aceso de folhetim, e gostara logo dela, por aquele sabor redondo a moca grossa de ferros, cravada de puas. Dois homens que assistiam ao barulho partiram logo dali, com o vocábulo ainda quente da refrega, a comunicá-lo à freguesia:
— Chamou-lhe tudo, o patife. Só porque o pobre entendia que a jorna de um homem é fraca. Que era um paz-de-alma. E um «inoque». »
(para continuar a ler A PALAVRA MÁGICA clica aqui)

sábado, 27 de outubro de 2007

Prémio para Gonçalo M. Tavares



A sempre atenta Joana Lucas chamou-nos à atenção para o facto de Gonçalo M. Tavares, autor que nos tem acompanhado nas nossas aulas, ter recebido o Prémio Portugal Telecom de Literatura com o livro Jerusalém editado em Portugal em 2004.



"Antes de tudo sou leitor. E tento ser um leitor atento. Não consigo conceber um escritor que não leia, leia, leia muito", afirmou o Gonçalo M. Tavares que, anteontem, no Brasil, foi galardoado com o Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007, com o romance "Jerusalém". A obra, escrita quando o autor tinha 33 anos, já havia sido premiada em Portugal quando, em 2004, recebeu o Prémio Literário Ler /Millenium bcp e, em 2005 ,o Prémio José Saramago. in Jornal de Notícias

sábado, 20 de outubro de 2007

A carta de Reclamação



TATE GALLERY


O museu fecharia às cinco horas,
o que mais tinha de verdadeiro.
Não concordou com o colega.
No seu caso, as imagens enviavam-no
para as diferentes etapas da sua vida.
Recuperava, com as cores e as formas,
alguns momentos que julgara ter apagado
da memória. Transitavam de sala
em sala e não sabia explicar-lhe o poder
desses fragmentos de visível. As palavras,
tal como as imagens, eram a penas ocioso
pretexto, pois ele permanecia ainda atrás
de cada artista, dirigindo a execução da obra.
A visita teria mesmo de ser rápida.
Cinco em ponto Londres, uma semana
de Janeiro com um sol de tela, para quê
perder tempo em museus? No exterior
o verde das árvores contrastava
com o verde das árvores.


in Apócrifo de José Ricardo Nunes



Com base no texto poético, tomámos a liberdade de fazer uma carta de reclamação em nome do poeta...


Exºmo Director da Tate Gallery


Eu, JR Nunes, venho por este meio expor o meu desagrado face ao sucedido no passado dia 23 de Janeiro, na Galeria pela qual v/Exª é responsável. Acontece que quando me dirigi à bilheteira, não fui informado de que a exposição encerraria às dezassete horas. Quando o soube já era tarde de mais, pois já tinha feito a compra. Uma vez que já não me encontro em Londres, peço que me devolvam a quantia que dispendi, pois não usufruí da exposição devidamente. Como prova, envio cópia do bilhete.

Atentamente,

JR Nunes